O jantar cultural, intitulado “Experiência Amazônica”, foi uma celebração de encerramento anual das atividades dos projetos da MI Moda Indígena, arte visual de deficientes visuais e dança indígena que realizaram uma turnê pela Europa em outubro deste ano pela Italia, Londres e Paris, o circuito europeu da moda e da arte.
Segundo a fundadora do grupo, a professora e estilista Seanny Oliveira Munduruku esse evento foi uma confraternização entre os colaboradores e patrocinadores dos projetos culturais, e também, um momento de receber a rainha do Congo, nossa amiga e parceira de futuros projetos. “Preparamos uma noite de experiência amazônica, tendo como atrações: desfile da MI Moda Indígena, uma apresentação do grupo de dança Kaxiri na Kuia e a exposição das obras do projeto Arte com Toque que foram apresentadas no Museu do Louvre, e uma apresentação música regional com Vanessa Aleme”, disse a dirigente.
A gestora da MI Moda Indígena a artista e estilista, Rebeca Ferreira Munduruku, contou que a noite foi um coroamento das boas parcerias com o Concultura, a Livraria Lira e a PanoFort Tecidos
e a diretoria Cultural e Eventos da Associação dos Veteranos do Corpo de Fuzileiros Navais, e também, convidados especiais, como presidente do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), Tony Medeiros e do antropólogo, Dr. João Paulo Barreto, criador do Centro de Medicina Indígena Basherikowi.
Amizade e identidade
Considerada a embaixadora cultural do Congo, a rainha Diambi Kabatusuila, disse que tem interesse em fazer projetos aqui na Amazônia. “Primeiro projeto, eu penso que a gente pode fazer é a moda, para mostrar, utilizar a moda para fazer três coisas: Primeiro, estar linda, a beleza é importante. Mas outra coisa é a mensagem cultural, que usamos muito na África para fazer todo o design. Mas a terceira coisa é fazer algo juntas, em uma parte de coisas que podemos fazer, de nossa competência, para ajudar a um projeto sociocultural, socioeconômico e cultural, para mostrar que quando são juntos, poder fazer mais e melhor”, afirmou.
A rainha contou como conheceu em 2023, durante a semana de moda da London Fashion Week (LFW), o grupo de estilistas Indígenas de Manaus. “Quando fui a LFW, tive a boa oportunidade de encontrar a mãe Seanny Munduruku e a sua filha bonita, Rebeca Munduruku, e a pude ver o seu trabalho de integrar a sua cultura, como eu faço também, a moda do Congo para mostrar a beleza de uma cultura que é maravilhosa, que é uma riqueza para o Brasil, mas para todo mundo”.
Evolução
Ao fazer um balanco sobre de como o projeto de moda conseguiu evoluir em tao pouco tempo, Rebeca, revelou que: “a gente nunca imaginou isso, porque quando começamos o projeto na comunidade Parque das Tribos, o nosso objetivo foi que a cultura indígena fosse reconhecida na nossa cidade”. E diante da repercussão internacional: “Então a gente nunca imaginou que fosse ganhar uma repercussão tão grande, em nível nacional, porque hoje o movimento indígena é muito forte na moda, e em nível internacional, que nós proporcionamos para os nossos parentes, tanto daqui do Amazonas como do Pará”, finalizou.
Amazônia e Congo
A rainha, Diambi revelou ser um sonho realizado vir a essa parte do mundo. “Já conheço um pouco mais o Brasil, outras partes, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Salvador de Bahia. Mas eu quero conhecer muito mais o Brasil, porque aqui me sinto como em casa, porque há muita gente que parece similar conosco, porque há uma mistura de gente que vem de todos os lados do mundo”. Ela disse que há uma grande herança, que é a herança africana; e aqui também há o povo indígena. “E sou rainha, ou mulher rei, de um reino que está também na floresta, floresta do Congo. E também, o povo indígena da África, que é o povo, que é a família ancestral, porque a África é a mãe da humanidade e cada um vem da África”.
Segundo ela essa região tem muita coisa, uma nova civilização, muito diferente, mas também com muita similaridade à Africa. “Vir aqui é um sonho, porque eu sinto uma similaridade cultural e também energética do nosso antepassado, que vem com muita sabedoria, muito carinho para a vida, muita reverência para o nosso sistema, nosso sistema planetário, que é o Mãe Terra, que dá a vida a todos”. A rainha disse que aqui tem muito conhecimento e sabedoria que são similares. “A natureza aqui parece muito como a Congo. Quando eu estou aqui eu vejo que eu estou no Congo. É importante valorizar a similaridade mas também celebrar a diferença”.
Ela afirma que estar aqui na Amazônia é como reconhecer uma parte da sua humanidade através da família que está aqui na Amazônia. “Também eu vim para trazer a toda a comunidade aqui, uma parte da sua história também, porque uma parte ficou na África.” Ela afirmou este encontro [Amazônia/África] é muito especial porque é também um momento que marca a vontade de fazer um outro caminho para realizar um sonho de uma humanidade que quer viver em paz, com diversidade e com muito respeito para fazer uma sociedade melhor para as nossas crianças do futuro. Agora a humanidade vive um momento crucial de um grande desequilíbrio econômico que é muito grande e que se sente muito. “E toda a comunidade afro-indigena, e todos os outros povos também devem entender essa beleza essa riqueza esse recurso [ambiental e cultural] para tomar a inspiração, para fazer outro modelo de sociedade”, disse a regente.
Ela disse que Brasil tem um modelo e outra maneira de governar de organizar a diversidade como riqueza não como um problema. “Esse é meu sonho para o Brasil, e eu quero participar da construção desse modelo, porque aqui tem o meu descendente, do Congo, da África, que são todos os descendentes africanos do Brasil”. E afirma que há muitos participantes a construir esse país com inteligência, sabedoria, competência e toda essa força. “Mas, também não ensinam uma coisa a cada um: lutar pela a justiça. Não parar. O caminho é difícil, mas não se deve parar. Sempre fazer essa luta para a justiça, porque quando não há justiça para uma pessoa, não há justiça para nada”.
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Texto: Cristóvão Nonato


