[Em uma transmissão que conectou mais de 25 portais de notícias do Amazonas, a empresária Cileide Moussallem, presidente do Grupo CM7 Brasil e da Virada Feminina no estado, compartilhou detalhes de sua trajetória pessoal e profissional. Durante a entrevista ao programa “Política e Poder”, com os jornalistas Marcos Pinheiro, Nilson Belém e Keudma Avlis, a comunicadora revelou como sua origem no interior do Pará e os desafios enfrentados na juventude moldaram seu perfil de “mulher de batalhas”.
A transmissão foi feita direto do Manaós Estúdio em uma parceria com jornalista Hiel Levy e o.empresário Charles Fernandes.
Filha de uma família árabe tradicional em Marabá (PA), Cileide relembrou o início de sua carreira na rádio nos anos 80, motivada pela necessidade de ajudar o pai fazendeiro em meio a conflitos agrários. “Fui forjada na batalha”, afirmou, destacando que sua entrada na comunicação foi pautada pela imposição de sua competência frente ao preconceito da época.
Missão e Ativismo
Aos 58 anos e realizada financeiramente, a empresária foca agora em deixar um legado através do projeto Virada Feminina. A iniciativa, que chegou ao Amazonas por indicação de sua irmã em parceria com figuras como Fátima Pelaes, busca alcançar mulheres em situação de vulnerabilidade, oferecendo desde apoio psicológico até acompanhamento jurídico em casos de violência.
Um dos momentos mais emocionantes da entrevista foi o relato sobre o apoio dado a uma jornalista em surto psicótico recentemente. “O maior prazer é ver a pessoa bem assistida. Estamos de mãos dadas”, declarou Cileide Moussallem, enfatizando que seu trabalho vai além da assistência social, envolvendo o diálogo com autoridades de segurança e do Judiciário para garantir justiça em casos de abuso e violência doméstica.
De Hobby à Audiência de 300 Milhões
Cileide Moussallem também relembrou o início improvável do Portal CM7. O que começou na sala de casa, com o apoio do marido e da irmã, transformou-se em um gigante digital. O nome “CM7” foi inspirado na simbologia bíblica do número sete, representando a perfeição.
“Saí de 60 pessoas no Analytics para 35 mil acessos por minuto”, relembrou. Hoje, o conglomerado alcança números expressivos:
Site: 59 milhões de acessos únicos.
Instagram: 268 milhões de visualizações.
Rede: Alcance total de 300 milhões de pessoas em todas as plataformas.
Com uma equipe de 30 funcionários e quatro frentes de reportagem na rua, o portal opera 24 horas por dia. A empresária enfatiza que o sucesso veio da persistência e da crença de empresários locais, como os grupos APA Móveis e Supermercados Vitória, que investiram no projeto quando o poder público ainda ignorava o potencial dos portais de notícias.
A Lição da Política: “A Vaidade Cegou”
A empresária não fugiu de temas espinhosos, como sua candidatura a deputada estadual em 2018 pelo PHS. Ela classificou a experiência como “traumática” e admitiu que foi usada como “cota feminina” por figuras políticas da época.
“Deixei a vaidade tomar conta e acreditei nos outros sem consultar a Deus. Foi uma experiência traumática, mas valeu o aprendizado”, desabafou. Apesar da decepção e dos ataques que sofreu no pós-eleição, Cileide descarta novas aventuras eleitorais imediatas e foca na expansão da Virada Feminina para mais de 20 municípios do estado.
“Tenho lado e emito nota fiscal”
Questionada sobre as acusações de receber verba pública para apoiar o prefeito David Almeida, Cileide Moussallem foi direta:
“Eu trabalho para quem eu quiser. É hipocrisia dizer que veículos de comunicação não recebem de órgãos públicos. Vai lá no Portal da Transparência e veja: eu emito nota fiscal, tenho endereço próprio e sou publicitária. Todo veículo, seja a Globo ou a Record, tem verba pública direta ou indireta. O que me difere é que eu não sou traidora; eu tenho lado e ideologia de direita.”
A empresária criticou a desunião entre comunicadores, afirmando que a briga entre “colegas” só serve para fortalecer políticos que se aproveitam dessa fragilidade. “Imagina comunicador brigando com comunicador. O político pensa: ‘são fraquinhos, bora minar’.”
Sororidade Real e Futuro
Para Cileide, o maior desafio da mulher moderna é a união. “É proibido uma mulher derrubar a outra na Virada Feminina. Temos que elogiar, dar a mão”, afirmou. Ela encerrou reforçando que seu sucesso não deve ser motivo de inveja, mas de inspiração.
Sobre o futuro em 2026, a empresária descartou o retorno às urnas. Segundo ela, a prioridade absoluta permanece sendo o trabalho social na Virada Feminina, que seria prejudicado por uma nova candidatura. “Não sou candidata e vou ficar nos bastidores. Até abril muita coisa pode mudar na política, mas meu foco é ajudar as mulheres.”


