Mais conforto e menos dor na hora do parto. Com base em estudo da Fiocruz sobre parto humanizado,
No Brasil a analgesia peridural foi ofertada para apenas 1% das parturientes atendidas pelo SUS, enquanto, no setor privado, o acesso alcançou cerca de 30%. O projeto de Plínio prevê , além do parto sem dor, a redução das cesarianas sem indicação médica
BRASÍLIA . O momento mais sublime da vida de uma mãe, a hora do parto, pode ter mais prazer do que dor. Com base em dados da pesquisa Nascer no Brasil , da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) , que mostram o desconhecimento das parturientes sobre o assunto, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) apresentou projeto de lei 973/2026 para ampliação do acesso a informação do método de analgesia durante o trabalho de parto normal no âmbito do Sistema Único de Saúde.
O projeto dispõe sobre o direito da gestante ao conhecimento da opção durante o pré-natal e no local de parto, com informações sobre métodos não farmacológicos e farmacológicos de alívio da dor, incluindo a analgesia regional _ peridural e combinada raqui-peridural.
Na justificativa, Plínio explica que a escolha pelo parto normal sem dor pode reduzir o grande número de cesarianas no País. O estudo da Fiocruz Nascer no Brasil 2 – Pesquisa Nacional sobre Aborto, Parto e Nascimento de 2025, indicam que a analgesia peridural foi ofertada para apenas 1% das parturientes atendidas pelo SUS, enquanto, no setor privado, o acesso alcançou cerca de 30%.
O projeto parto sem dor de Plínio, assegura às gestantes, no âmbito da assistência pré-natal e no local de realização do parto, o acesso aos métodos de alívio da dor no trabalho de parto normal, bem como o recebimento de informações claras e adequadas sobre tais métodos, seus benefícios, riscos e formas de utilização.
_ A assistência obstétrica no Brasil ainda apresenta importantes desigualdades no acesso a métodos eficazes de alívio da dor no trabalho de parto, especialmente no âmbito do SUS. Entre essas estratégias, destaca-se a analgesia peridural, amplamente reconhecida na literatura científica como uma das formas mais eficazes de controle da dor durante o primeiro e o segundo estágios do trabalho de parto _ explicou Plínio.
Apesar de suas vantagens clínicas e de sua ampla utilização em diversos sistemas de saúde, e de recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a importância do manejo adequado da dor como componente essencial da qualidade da assistência ao parto, a técnica da analgesia peridural ainda não é oferecida de maneira rotineira em países em desenvolvimento como o Brasil, o que contribui para importantes disparidades no acesso ao cuidado obstétrico.
Nos Estados Unidos da América, aproximadamente 61% das mulheres que tiveram parto vaginal recebem analgesia peridural. No Canadá, em torno de 57% , enquanto no Reino Unido entre cerca de 20% e 30% dos nascimentos. Paralelamente, o Brasil mantém taxas elevadas de cesarianas, conforme a Fiocruz, particularmente nos municípios do interior (66%) e no setor privado (85%).


