Central por vingança a Galípolo que defendeu o ex-presidente Roberto Campos no escândalo do Banco Master e por ciúmes por não terem criado o PIX
O impasse que impede a votação da matéria no Senado, segundo Plínio, envolve questões políticas e ciúmes dos petistas
BRASÍLIA. Relator da PEC que dá autonomia financeira para o Banco Central, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) culpou o PT e o Governo por criarem um impasse político para impedir a votação da matéria na Comissão de Constituição e Justiça na próxima semana como teria sido acordado em reunião com o presidente Gabriel Galípolo e o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), na última quarta-feira. No discurso hoje na tribuna ao pedir o fim de disputa política , Plínio citou o editorial do jornal O Globo e de vários artigos de especialistas defendendo a necessidade do Congresso Nacional aprovar a PEC que reforçará o orçamento do Banco para modernizar equipes antifraudes e garantir a gratuidade do PIX diante de possíveis investidas para taxação da ferramenta que já virou patrimônio dos brasileiros.
O editorial do Globo cita o pedido de socorro de Galípolo pela aprovação da autonomia orçamentária e financeira do BC para garantir a modernização de equipamentos, equipes de técnicos e criação de uma IA própria para agilizar a fiscalização dos milhares de ataques hacker e fraudes contra o PIX. Plínio elogiou a atuação impecável de Galípolo a frente da política monetária do País, mostrando equilíbrio e competência no controle da inflação, mas caiu em desgraça no governo e no PT por defender seu antecessor Roberto Campos em relação ao escândalo do Banco Master.
_ Que possamos esquecer, deixar de lado as querelas, os ciúmes dos petistas por não terem criado o Pix; os ciúmes dos petistas por não terem derrubado Roberto Campos, porque a lei não permitia, e por não poderem tirar o Galípolo, porque a lei também dá autonomia de mandato ao Banco Central. Que nós possamos cumprir com o nosso dever com a República e aprovar coisas boas para a República Federativa do Brasil _ apelou Plínio.
Em seu relatório Plínio encorpou emenda de sua autoria dando ao Banco Central poder exclusivo para administrar o PIX , tirando possibilidade de governos de plantão taxarem ou mudarem seu funcionamento . No discurso o senador observou que , ao se tornar um meio quase universal de pagamentos no Brasil, o Pix contrariou muita gente, até mesmo o presidente dos Estados Unidos Donald Trump irritado com a queda no faturamento de empresas americanas pela gratuidade nas transações.
_ Tudo mostra que também o PT não gosta do Pix, ou melhor, tem ciúmes da inovação, pois foi conduzida por uma instituição presidida à época por alguém que vê, ou via, como adversário – no caso, o Roberto Campos. E vamos combinar aqui uma coisa ? O PT sempre viu com maus olhos a autonomia do Banco Central, tanto assim que seu atual Líder na Câmara Federal apresentou o projeto de lei complementar para torpedeá-la . Não se trata de caso isolado: o PT sempre teve aspirações hegemônicas _ declarou Plínio.
O relator observou não causar surpresa que agora segmentos importantes do PT queiram interferir nessa autonomia e nem o Pix escapa a essa sanha. Por essa razão Plínio procurou inserir em seu relatório da PEC 65 a proteção do Pix, prevendo a possibilidade de que a autonomia financeira e funcional fosse dificultada por esse ranço.
_ Hoje o Pix é comandado, é gerido por apenas 32 servidores, mexe com trilhões diariamente. Há vítimas de fraudes de sete em sete minutos e tem apenas 32 servidores. Com a autonomia financeira que a PEC pretende, vão poder contratar e atualizar o seu corpo de servidores. Se o PT não gosta do Pix, eu gosto. Se o PT não gosta do Pix e implica com o Banco Central por desafiar suas pretensões hegemônicas, se pretende cobrar por ele, enfim, se quer submeter todo o controle da moeda a uma política econômica populista, essa legislação, caso aprovada, impedirá. Por isso que a gente quer a aprovação dessa PEC, pois, entre outros benefícios, ela vai impedir que se mexa, que se toque no Pix _ discursou Plínio.


