Secretário nega traição, diz que ex-aliado tinha espaço no grupo e aponta Omar Aziz como possível próximo destino político.
A saída de Marcos Rotta do grupo político do prefeito David Almeida ganhou uma nova versão nesta terça-feira (12/8). Em entrevista à jornalista Cileide Moussallem, o secretário Sabá Reis abriu os bastidores da ruptura, negou que o ex-aliado tenha sido traído e afirmou que foi o próprio Rotta quem decidiu deixar o projeto político do grupo.
Frequentador dos bastidores da política amazonense e um dos integrantes mais próximos do núcleo de David Almeida, Sabá afirmou que não faltavam alternativas eleitorais para Rotta.
“Aqui conosco ele seria, se quisesse, candidato a estadual, a federal, a vice-governador, a senador. O Rotta seria o que ele quisesse.”
A declaração ganha peso pelo histórico da relação entre eles. David, Sabá, Renato Junior e Rotta formaram, durante anos, um núcleo de convivência política e pessoal bastante próximo. Foi justamente essa proximidade que levou Cileide a questionar como uma aliança tão estreita terminou com Rotta dizendo publicamente que havia sido “apunhalado pelas costas”.
Sabá rebateu a versão.
“Quando fala que foi apunhalado, meu amigo, a faca está na tua mão. Não existe isso, não teve traição. Você não quis ser mais nada e o Davi não poderia ficar esperando.”
Segundo o secretário, Rotta não havia perdido espaço dentro do grupo e continuava sendo considerado para posições importantes na composição eleitoral de 2026.
“Você era o candidato do Davi, o meu, o do Renato e da torcida do Flamengo. Mas foi você que não quis mais.”
Sabá também falou sobre a relação de David Almeida com Eduardo Braga. Segundo ele, Rotta sempre soube da preferência política do prefeito pelo senador.
O secretário lembrou que, no próprio evento em que Rotta foi anunciado como pré-candidato ao Senado, David declarou publicamente que seu voto seria em Braga, enquanto Rotta estava ao lado.
“Não estava nisso ninguém enganado. O Rotta sempre soube que o Eduardo era preferencialmente.”
Para Sabá, portanto, o apoio a Braga não teria sido uma surpresa capaz de justificar a ruptura. Ele também admitiu que o afastamento teve impacto pessoal.
“Hoje nós estamos em campos opostos, nós somos adversários. Espero que inimigos não precisem ser.”
Questionado sobre o futuro político de Rotta, Sabá apontou uma possível aproximação com Omar Aziz.
“Tenho uma ligeira impressão que ele vai retornar de onde ele veio. Ele veio para Manaus pelas mãos do Omar. O Omar é padrinho de um filho dele.”
Na avaliação de Sabá, Rotta ainda precisa definir com cuidado o próximo passo político. O secretário afirmou que, dependendo do caminho escolhido, o ex-aliado poderá comprometer uma trajetória que considera “bonita, vitoriosa e respeitada pelas pessoas”.
Com a ruptura consumada, a atenção agora se volta para o próximo movimento de Marcos Rotta e para onde ele poderá se posicionar no tabuleiro eleitoral de 2026.


