
MANAUS (AM) – Contra a intolerância religiosa e a favor da conservação da biodiversidade e povos da floresta, o 8° Festival Cultural Balaio de Oxum acontece na sexta-feira, 8. O culto a orixá inicia a partir das 15h, na praia da Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus.
A cada edição, o evento possui um tema que representa a luta das minorias. Neste ano, o pedido é pela preservação de vidas indígenas, bem como da população negra. A programação conta com a marcha e o xirê (festa aos orixás por cânticos), além de shows de artistas regionais.
À REVISTA CENARIUM AMAZÔNIA, o integrante da equipe que fundou o evento, Diego Mourão, definiu a cerimônia como uma celebração que vai além da pauta religiosa e mostra a força da pluralidade de crenças e doutrinas, dentre elas, a umbanda, candomblé, jurema, tambor de mina, catimbó e terecó.
“O Balaio de Oxum tem uma importância civil e religiosa, porque a gente traz essa questão e a pauta do ódio, do racismo religioso e do respeito entre ambas as religiões e dentro da nossa própria religião. Acredito que, com a união de várias religiões de matriz africana, nós podemos mostrar que a sociedade pode ser uma sociedade mais unida, independente de religiões, de credo, de estado civil ou mesmo de posição social”, destacou Mourão.

O que é o balaio
O balaio é um adorno que vai ser preenchido com os elementos característicos da orixá, como Omolucum e o Ipeté, que são comidas preparadas à base de feijão-fradinho e inhame, rosas e flores, espelhinhos, manjá, doces e frutas finas, além de perfumes e ervas. Alguns celebrantes adicionam brinquedos e espumantes.
A celebração vai cultuar a divindade ancestral feminina que traz a simbologia das águas doces, domínio dos rios e cachoeiras, do ouro e também da fertilidade. Na data do evento, é celebrado o Dia de Oxum, representada pela cor amarela, que demonstra riqueza e abundância.
Organizado pela Mãe Flor de Nave, a concentração inicia às 15h, com saída para a marcha às 16h. Em seguida, os celebrantes vão abrir uma roda para evocar a orixá por meio de pontos (cânticos) e danças, um movimento de saudação.
Quem é Oxum
Oxum é um orixá. A rainha das águas doces, dona dos rios e cachoeiras, figura cultuada no candomblé e na umbanda, religiões de matriz africana. Ela é a segunda esposa de Xangô e representa a sabedoria e o poder feminino, além de carregar o nome de deusa do ouro e do jogo de búzios.
O arquétipo da orixá é de uma mulher graciosa e elegante, que gosta de pôr joias, perfumes e roupas luxuosas. A figura de Oxum carrega um espelho na mão. Algumas pessoas confundem Oxum e Oxumarê, mas segundo a Umbanda e o Candomblé são divindades distintas.
Culto aos orixás
As religiões de matrizes africanas, como a Umbanda e o Candomblé, trazem representações ancestrais antigas. São relações sagradas que se manifestam a partir das forças e elementos da natureza e valores humanos, como a justiça e o amor, por exemplo. Cada divindade possui um sentido, uma simbologia e características próprias.
Na tradição Iorubá, cultuada nas diversas casas de Candomblé, os orixás são esses ancestrais africanos, constituindo assim diversas práticas ritualísticas para cultuá-los.
Sincretismo religioso
No Brasil, os orixás estão associados a um santo da Igreja Católica, prática que ficou conhecida como sincretismo religioso. No catolicismo, Oxum está sincretizada como Nossa Senhora da Conceição, santidade padroeira de Manaus e do Amazonas.
De acordo com o site Politize, o termo também é conhecido em um sentido pejorativo, criticado como uma forma de diluir ou enfraquecer as tradições originais, ou de perpetuar relações de poder desiguais entre diferentes grupos culturais ou religiosos.
Fonte: revista cenarium