Manaus (AM) Uma denúncia formal apresentada por lideranças indígenas do Parque das Tribos levou à retirada imediata do vídeo da dissertação da jornalista Paula Litaiff, defendida na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O conteúdo, que acusa o cacique Ismael Munduruku de “violência simbólica de gênero”, vem sendo amplamente contestado por mulheres da própria comunidade, que alegam jamais terem sido consultadas ou ouvidas.
Em um vídeo que circula publicamente, a indígena Maira Mura, citada como fonte direta na pesquisa, desmente o conteúdo da dissertação: “nunca disse a nenhum pesquisador que Ismael Munduruku se autodeclarou liderança”, afirma. O episódio escancara fragilidades graves na apuração e elaboração do material acadêmico e, por consequência, lança dúvidas sobre a atuação jornalística de Litaiff.
Paula Litaiff é editora e fundadora da Revista Cenarium, veículo conhecido por sua defesa ferrenha das pautas indígenas. No entanto, esse novo episódio levanta a pergunta: até que ponto as reportagens assinadas ou supervisionadas por ela são baseadas em fatos e não em interesses pessoais ou narrativas montadas?
A contradição entre a postura pública de “defensora dos povos indígenas” e a produção de um trabalho contestado por quem deveria representar é o ponto central da crise. Por que atacar justamente uma liderança indígena reconhecida por seu apoio ao protagonismo das mulheres na comunidade?
O silêncio da Revista Cenarium sobre o caso, até o momento, também é motivo de estranhamento. Trata-se apenas de um erro acadêmico isolado ou de um padrão de atuação editorial questionável?


