Ao longo dos três dias de evento, uma equipe técnica do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), com dez profissionais, atuou de forma permanente no centro histórico para garantir que a animação do público não deixasse marcas negativas no patrimônio da cidade.
O centro histórico é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde 2012, e guarda exemplares únicos da arquitetura da Belle Époque.
O trabalho incluiu vistorias preventivas em prédios tombados e áreas de interesse histórico e cultural, orientando comerciantes, visitantes e equipes de apoio sobre os cuidados necessários. Durante os três dias, o time não registrou maiores intercorrências, orientando o público para que não se sentasse em locais não apropriados, como no chafariz na praça Dom Pedro 2°, ou até mesmo crianças sentadas em gradil de proteção aos edifícios. Entre as ações estavam ainda a atenção ao número de frequentadores no skyglass do mirante Lúcia Almeida, evitando superlotação.
Objetivo
O objetivo foi assegurar que a celebração fosse intensa, mas sem causar danos aos espaços públicos e privados que guardam a memória arquitetônica, ancestral e cultural da capital, além de garantir a proteção individual e segurança dos participantes.
“Nossa equipe técnica esteve presente todas as noites realizando fiscalização e monitoramento nos imóveis históricos. Atuamos de forma preventiva, verificando possíveis depredações, ligações clandestinas e até situações de risco, como crianças subindo em gradis ou pessoas se apoiando em estruturas que não são seguras.
Em cada caso, nossa abordagem foi orientar e retirar essas pessoas para evitar acidentes. Também estivemos atentos a qualquer intercorrência, prestando apoio imediato e acionando os serviços de saúde quando necessário”, destacou a arquiteta e urbanista do Implurb, Lorena Cunha.
Durante as três noites, a gerente de Patrimônio Histórico (GPH) do Implurb, arquiteta e urbanista Landa Bernardo, participou do colegiado municipal montado para o evento, por meio do Centro de Cooperação da Cidade (CCC).
Cuidados
Com essa ação, a prefeitura reforça que o “#SouManaus” é mais do que música e arte: é também preservação e respeito pela história da cidade. O cuidado com cada detalhe do espaço urbano foi determinante para que o festival, que atraiu milhares de pessoas, fosse uma experiência segura, vibrante e em harmonia com o patrimônio que emoldura o centro da capital.
Ainda que fragmentada, Manaus possui um vocabulário arquitetônico vasto e diversificado, com representação de todas as correntes ecléticas e a verticalização ainda não compromete a percepção do espaço criado na Belle Époque. A cidade pode ser vista como um espaço urbano composto por monumentos, arquitetura corrente e áreas livres públicas, formando um conjunto que celebra e representa o ecletismo no Norte do país.
O Centro Histórico de Manaus abrange uma área entre a orla do rio Negro e o entorno do Teatro Amazonas e ainda mantém os aspectos simbólicos e densos de realizações artístico-construtivas. Nacionalmente, Manaus está no rol das cidades históricas do Brasil, com inscrição no Livro de Tombo Histórico e no Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.


