A cultura hip hop tomou conta do Centro de Convivência da Família Teonízia Lobo, no bairro Mutirão, zona Leste de Manaus, neste domingo (12). O evento “Raízes do Hip Hop Manaus” reuniu artistas, coletivos e moradores em uma programação voltada à valorização dos pilares do movimento: DJ, MC, grafite e breaking.
A proposta foi além das apresentações artísticas e trouxe à tona a importância histórica do breaking para o surgimento e fortalecimento do hip hop na capital amazonense. A iniciativa também reforçou o papel do movimento como expressão cultural construída dentro das periferias da cidade.
Com uma programação diversa, o público acompanhou rodas de conversa, palestras, homenagens e apresentações que incluíram batalhas de breaking, intervenções de grafite e pocket shows. As atividades promoveram o encontro entre diferentes gerações, conectadas por uma mesma vivência cultural.
Outro ponto de destaque foi a ocupação do espaço público como ferramenta de mobilização social, fortalecendo o uso coletivo do centro de convivência e aproximando a comunidade.
Trajetórias que constroem o movimento
O Proponente do evento, Jorge Bronzeado destacou o esforço para tirar a iniciativa do papel. Segundo ele, a realização do encontro é resultado de uma mobilização de anos.
“Estou há quatro anos tentando fazer este evento acontecer. Foi possível agora com apoio e financiamento público, que mostra como as políticas públicas são fundamentais para fortalecer a cultura”, afirmou.
Ele também ressaltou que a proposta do “Raízes do Hip Hop Manaus” é dar visibilidade aos pioneiros do movimento na cidade.
“A ideia é trazer reconhecimento para a galera das antigas, que consolidaram o hip hop em Manaus e ajudaram a construir essa história”, completou.
Além do evento, os organizadores informaram que o espaço seguirá sendo utilizado para atividades regulares. Aos sábados, das 13h às 17h, o centro de convivência recebe treinos de breaking e outras práticas ligadas à dança hip hop, ampliando o acesso da comunidade à cultura.
Conexões que atravessam gerações
O evento também evidenciou a capacidade do hip hop de reunir públicos de diferentes idades, criando um espaço de troca, aprendizado e continuidade cultural.
Entre os participantes, o ativista do hip hop Miguel Maia compartilhou sua trajetória dentro do movimento, destacando sua experiência como artista PcD e o papel do hip hop em sua vida.
“O hip hop me ensinou a ser persistente. Minha trajetória é de resistência dentro da cultura e na vida”, contou.
Miguel também relembrou momentos marcantes de sua caminhada, como o apoio recebido de amigos para participar de eventos e batalhas.
“Teve época em que meus amigos me carregavam nas costas para eu conseguir participar dos festivais. Isso foi muito importante para mim”, disse.
Ele ainda destacou que nunca se sentiu limitado dentro do movimento.
“Nunca me senti inferior por ser cadeirante e nunca me vitimizei por ser do jeito que eu sou”, afirmou.

Mais do que expressão artística, o encontro destacou o hip hop como ferramenta de identidade, pertencimento e transformação social.
Ao promover o diálogo entre passado e presente, o “Raízes do Hip Hop Manaus” reafirma a força do movimento na cidade e aponta para um futuro construído com base na valorização de suas origens e na diversidade de suas manifestações.




