O presidente Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (9) que os países amazônicos não precisam de intervenções estrangeiras para enfrentar o crime organizado na Amazônia.
A declaração foi feita durante a inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), em Manaus, que reunirá forças de segurança do Brasil e de países vizinhos no combate a crimes transnacionais.
Segundo Lula, o novo espaço simboliza a presença do Estado em áreas onde o crime avançou pela ausência de políticas públicas.
Lula destacou ainda que a preservação da floresta depende do enfrentamento direto ao crime organizado, especialmente contra atividades ilegais como garimpo e desmatamento.
Além disso, ele citou que, apenas em 2024, o governo brasileiro apreendeu mais de US$ 250 milhões em bens de acusados de crimes ambientais e inutilizou US$ 60 milhões em maquinários usados em garimpos ilegais.
Petro alerta para riscos à Venezuela
Convidado por Lula para o evento, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, defendeu a cooperação entre países da região e alertou para o risco de escalada de tensões com a presença militar norte-americana próxima à Venezuela.
“Se a floresta é salva, salva-se também a humanidade. Agora, a Venezuela está sob ameaça. Um barco foi alvejado no Caribe sem que se saiba se transportava drogas. Não podemos ficar calados. Precisamos falar de igual para igual com os EUA”, declarou.
Petro relacionou o episódio à exploração de petróleo na região e criticou o que chamou de contradição entre capital e vida. “A América Latina não é território para ser bombardeado por ninguém. É a região da vida, o centro vital do planeta”, disse.
Inteligência integrada
Sob coordenação do Brasil, o CCPI Amazônia funcionará como núcleo de inteligência para os nove países amazônicos e os estados da Amazônia Legal, com apoio da Interpol, Europol e Ameripol.
Dessa maneira, o objetivo é articular operações contra crimes ambientais, tráfico de drogas, armas e pessoas.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, destacou que organizações criminosas atuam em escala internacional, exigindo resposta articulada entre países.


