Senador aponta conclusão da BR-319, defesa da Zona Franca, fiscalização das ONGs e limite de mandato para ministros do STF entre as pautas que pretende levar adiante no Senado.
MANAUS (AM) – “Meu propósito é continuar defendendo o Amazonas. O Amazonas faz parte de mim”, afirmou o senador e candidato à reeleição Plínio Valério (PSDB-AM), ao falar sobre os projetos que pretende levar adiante em um novo mandato no Senado Federal. Em entrevista ao A Crítica Podcast, nesta quarta-feira (26/08), o parlamentar colocou no centro de suas prioridades a conclusão da BR-319, a defesa da Zona Franca de Manaus, o desenvolvimento econômico do estado e a continuidade de pautas institucionais apresentadas ao longo dos últimos oito anos.
Ao fazer um balanço do mandato e projetar os próximos anos, Plínio afirmou que pretende permanecer no Senado para avançar em questões que considera fundamentais para o futuro do estado.
“Eu quero mais oito anos. Oito anos não foram suficientes para ver a BR-319 asfaltada, não foram suficientes para ver essas ONGs deixando de ser um poder paralelo na Amazônia e não foram suficientes para colocar os ministros do STF no lugar deles. Por isso, estou pleiteando um pouco mais de tempo”, declarou.
Entre os resultados do primeiro mandato, o senador destacou que temas historicamente enfrentados pelo Amazonas passaram a ganhar espaço no debate nacional.
“Nós trouxemos para o debate o tema das ONGs ambientalistas e a BR-319. Hoje, o Brasil inteiro sabe por que nós, amazonenses, lutamos tanto pela BR e por que devemos preservar a Zona Franca de Manaus”, ressaltou.
Desenvolvimento com preservação
Presidente da CPI das ONGs no Senado, Plínio Valério voltou a defender maior fiscalização sobre organizações que atuam na Amazônia e criticou entidades que, segundo ele, utilizam a preservação ambiental como argumento para limitar as possibilidades de desenvolvimento econômico da população da região.
“Nós combatemos as ONGs perniciosas, ONGs que enriquecem às custas da pobreza do nosso povo. A gente combate essa turma que quer colocar sobre a Amazônia a responsabilidade de salvar o planeta, uma responsabilidade que nós não temos”, destacou.
Para o senador, preservar a floresta não pode significar condenar quem vive na Amazônia à falta de oportunidades. Plínio defendeu um modelo capaz de conciliar proteção ambiental, geração de renda e exploração responsável dos recursos naturais.
“Eu preservo, não toco na floresta, protejo o meio ambiente. Mas o povo vai comer o quê? Vai viver de quê? Tem que haver esse equilíbrio. Se nos ajudarem a preservar, sem querer dizer o que nós devemos fazer, as coisas vão fluir”, afirmou.
Plínio também fez críticas ao Observatório do Clima, ao ICMBio e à Fundação Amazônia Sustentável, instituições que, na avaliação dele, contribuem para construir uma imagem distorcida da realidade amazônica fora do país.
“Eu gosto da ciência, mas esse pessoal que a gente combate é muito midiático. Eu não vejo nada de bom no Observatório do Clima, no ICMBio ou na Fundação Amazônia Sustentável. Eles mentem descaradamente lá fora e aqui condenam nosso povo a uma pobreza eterna. Essas correntes invisíveis não permitem que a gente se desenvolva no agronegócio ou explore nossos recursos naturais”, criticou.
Limite de mandato no STF
Outra bandeira que Plínio afirmou que continuará defendendo é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece mandato para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente, os integrantes da Corte podem permanecer no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.
Durante a entrevista, o senador citou o ministro Dias Toffoli para exemplificar o longo período que um integrante pode permanecer no Supremo e defendeu a alternância como forma de evitar a concentração de poder.
“Vamos pegar o exemplo do Toffoli. Ele vai passar quase 40 anos lá dentro. Olha o poder que esse cara tem. Por isso, alguns ministros se julgam semideuses ou pensam que podem tudo. Eles podem muito, mas não podem tudo”, afirmou.
Plínio disse que pretende insistir na proposta durante o segundo mandato. “Tem ministro que não entende que a lei tem um poder maior que ele. O limite de mandato traria para eles a realidade. Eu continuo defendendo essa PEC mais do que nunca”, reforçou.
Mais de R$ 1 bilhão em emendas
Além das pautas nacionais e regionais, Plínio Valério apresentou um balanço dos recursos indicados ao longo do mandato. Segundo o senador, foram 1.286 emendas, que ultrapassam R$ 1 bilhão em investimentos destinados a Manaus e aos municípios do interior do Amazonas.
A saúde concentra a maior parte dos recursos, com mais de R$ 485,5 milhões, seguida pela infraestrutura, com R$ 205,2 milhões. Também foram destinados R$ 74,2 milhões para educação, R$ 64,4 milhões para assistência social e R$ 57,9 milhões para agricultura e produção rural. Os investimentos alcançam ainda cultura, povos indígenas, saneamento, turismo, energia, esporte e outras áreas que fazem parte do cotidiano da população amazonense.
Para Plínio, porém, o resultado das emendas não deve ser medido apenas pelo volume de recursos, mas pela mudança que elas conseguem provocar na vida das pessoas, especialmente nas comunidades do interior.
“As emendas amenizam e até mudam a vida de muitas pessoas. Quando você manda uma casa de farinha para uma comunidade, a pessoa deixa de carregar mandioca nas costas, no cesto. Muda e passam de 400 cestos de farinha para três mil”, exemplificou.
Zona Franca e a Lei de Informática
A defesa da Zona Franca de Manaus tem sido uma das prioridades do mandato do senador Plínio Valério, que destaca o modelo como fundamental para a economia, a geração de empregos e o desenvolvimento do Amazonas.
“Eu tenho que entender que ela é importante, que é fundamental e que a Zona Franca ainda é o ar que respiramos”, explicou.
Entre as principais ações do senador em defesa do Polo Industrial está sua atuação na Lei de Informática, da qual foi relator no Senado. A legislação foi decisiva para preservar a competitividade das empresas do setor de tecnologia instaladas na Zona Franca de Manaus, garantindo segurança jurídica e a continuidade dos incentivos vinculados a investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Como demonstração da prioridade dada ao modelo econômico, Plínio Valério citou a frequência com que levou o Amazonas e a Zona Franca à tribuna do Senado.
“Na tribuna, em Brasília, falei as palavras ‘Zona Franca’ mais de 600 vezes. ‘Amazonas’, falei mais de mil vezes, porque defendo e não tenho vergonha de defender o modelo econômico que deu certo”, afirmou.
Ao final, Plínio Valério voltou a reforçar que a motivação para buscar a reeleição está na continuidade da defesa das pautas amazonenses em Brasília.
“Eleitor, observe qual candidato vai a Brasília para se defender dos processos e qual candidato vai para defender o Amazonas. Eu estou para defender o Amazonas”, concluiu.


