A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), intensifica, ao longo deste mês, as ações de prevenção e controle da sífilis nas unidades da rede municipal durante a campanha “Outubro Verde”.
Em 2026, Manaus mantém média mensal de 361 notificações de sífilis adquirida em adultos, exceto gestantes, 12,1% acima da média de 322 registros mensais de 2025. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, monitorados pelo Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e Hepatites Virais (Nucist) da Semsa.
A técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecção Sexualmente Transmissível (IST) e Hepatites Virais da Semsa, enfermeira Ylara Enmily Costa, explica que a programação será realizada nas unidades de Saúde da rede municipal, além de atividades extramuros em locais como escolas, empresas e entidades sociais.
“A intenção é mobilizar a população, orientar as pessoas sobre a importância da realização de testagem de rotina, pelo menos uma vez ao ano, e da utilização de preservativos nas relações sexuais”, informa Ylara Enmily.
Além do uso de preservativos para reduzir o risco de transmissão da sífilis e da realização do teste rápido, a enfermeira alerta que, em caso de diagnóstico positivo para a infecção, é essencial que o paciente inicie rapidamente o tratamento, com acompanhamento até a cura definitiva.
“Como a sífilis pode manter-se de forma silenciosa, sem apresentar sinais e sintomas, as pessoas nem sempre procuram o atendimento médico e o ciclo de transmissão é mantido. Por isso, o ideal é sempre realizar o teste. A Semsa Manaus disponibiliza gratuitamente tanto os preservativos quanto o teste rápido para a sífilis nas unidades de saúde”, avisa Ylara.
Sífilis congênita
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) também mostram o crescimento da sífilis entre gestantes, com a média mensal saindo de 198, no ano passado, para 208 notificações mensais em 2026, equivalente a 5,1% de aumento.
De acordo com Ylara Enmily, a sífilis em gestantes deve ser sempre monitorada de forma diferenciada, especialmente considerando o risco de sífilis congênita, que é a infecção transmitida da gestante com sífilis, não tratada ou tratada de forma inadequada, para o bebê durante a gestação ou no momento do parto.
Em 2026, Manaus registra uma média mensal de 33 casos de sífilis congênita, um aumento de 37,5% em comparação com a média mensal de 2025, que foi de 24 casos.
“Os dados reforçam a importância de manter e ampliar as estratégias de prevenção, testagem e tratamento, especialmente no acompanhamento da gestação. A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível que tem cura, mas pode ocorrer reinfecção após um tratamento anterior. Por isso, o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o acompanhamento das parcerias sexuais são fundamentais para interromper a cadeia de transmissão”, pontuou Ylara.
Para a prevenção da sífilis congênita, a enfermeira reforça que é fundamental a realização do pré-natal durante a gestação, quando é possível realizar a testagem de forma mais precoce possível.
O Ministério da Saúde recomenda a testagem para sífilis na primeira consulta do pré-natal, preferencialmente no primeiro trimestre, novamente no terceiro trimestre e no momento do parto ou em caso de aborto.
Em Manaus, informa Ylara, a estratégia foi ampliada em 2026, com a recomendação de realização de, no mínimo, três testagens para sífilis durante o pré-natal, incluindo também o segundo trimestre da gestação.
“A medida busca ampliar as oportunidades de diagnóstico e tratamento, reduzindo o risco de transmissão da infecção para o bebê. Quando a sífilis é identificada durante a gestação, o tratamento deve ser iniciado e acompanhado de forma oportuna e adequada. As parcerias sexuais também devem ser avaliadas e tratadas quando indicado, contribuindo para evitar a reinfecção da gestante”, orienta Ylara.
Infecção
A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum e é transmitida por relação sexual sem uso de preservativos.
Na fase primária da infecção, o sintoma apresentado é uma ferida que pode surgir no pênis, vagina, ânus, vulva e colo uterino, surgindo em até 90 dias depois do contágio. Em uma fase terciária, que pode ter manifestação até 40 anos depois de iniciada a infecção, os sintomas incluem lesões ósseas, neurológicas e cardiovasculares, com a possibilidade de levar o paciente ao óbito.
No caso da sífilis congênita, os sintomas incluem abortamento espontâneo, parto prematuro, malformação do feto, surdez, cegueira, alterações ósseas, deficiência intelectual e até mesmo morte ao nascer.
Em sua forma precoce, as manifestações clínicas da sífilis congênita podem surgir até o segundo ano da vida da criança, ou após os dois anos de vida quando se trata da forma tardia da doença.
No período de janeiro a 10 de setembro de 2026, Manaus registrou 2.952 casos de sífilis adquirida, 1.693 de sífilis em gestantes e 267 de sífilis congênita.
No ano passado, foram 3.874 casos de sífilis adquirida, 2.352 de sífilis em gestantes e 339 de sífilis congênita.
Data
O Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita é celebrado no terceiro sábado de outubro, conforme a Lei nº 13.430/2017, que em 2026 será marcado no dia 17 de outubro. Em alusão à data, a Semsa irá realizar a abertura oficial da campanha “Outubro Verde” no dia 14 de outubro, 9h, com cerimônia de mobilização e sensibilização na Unidade de Saúde da Família (USF) Dr. José Rayol dos Santos.
Fonte: Semsa
Foto: Divulgação


