BRASÍLIA. Durante debate sobre a urgência de aprovação da PEC 65 , que dá autonomia orçamentária ao Banco Central, durante depoimento do presidente Gabriel Galípolo na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o senador Plínio Valério (PSDB-AM) fez um último apelo ao consenso e manutenção da matéria na pauta de votações da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) amanhã.
Plinio e Galípolo rebateram ataques do líder do MDB, Eduardo Braga (AM) e do presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AM) que repetiram a estratégia do Governo e do PT de dar mais prazo para o governo mandar uma PEC alternativa e obstruir a votação, alegando necessidade de alterações para ampliar a abrangência da PEC . Plínio mostrou que ao longo dos últimos três anos vem negociando seu relatório com todos os segmentos do BC, acatou uma emenda do senador Rogério Carvalho (PT-SE) e da Advocacia Geral da União (AGU) justamente para destravar a votação.
Plínio ressaltou entretanto, que ainda há prazo para eventuais alterações em seu parecer, desde que não saia da pauta amanhã. Ele disse que vai fazer a leitura e deve ter pedido de vista, o que permitirá mais uma semana para votar e para que possa corrigir as distorções que porventura tenham.
Essa PEC, no começo, o pessoal do PT dizia: “Vai criar uma casta no servidor”. Não vai. Tem uma trava no orçamento que a gente colocou. Não vai. Os servidores não têm mais do que se queixarem. O sindicato que faz campanha contra não trata dos servidores, ele tratava da origem, da origem da autarquia e foi corrigido isso tudo, foi corrigido lá atrás.
_ Nós estamos dispostos a fazer qualquer correção, desde que o Banco tenha o seu orçamento para voar mais alto. Quando a gente começa “coloca isso, coloca aquilo; o Banco Central tem que…” . Quando se quer colocar tudo em uma questão, é porque não se quer decidir coisa nenhuma; tudo em uma questão, não querem decidir nada _ lamentou Plínio.
Em mais um pedido de socorro pela votação do orçamento independente para modernização do BC, Galípolo disse ter a sensação que existe dentro da Casa que, cada vez que se apresenta o texto com sugestões, surge algo novo para que o texto não evolua e seja votado.
_ E, mais do que isso, a sensação que me preocupa dentro da Casa – sendo muito franco – é que talvez o Banco Central seja punido pelas suas virtudes e não pelos seus vícios. A sensação de que a Casa pode ser asfixiada porque tomou algumas decisões, isso é o que vai deixar a pior herança possível para este país. O Banco Central é uma instituição que não vai botar para jogo o seu mandato. Ele não vai negociar em nada o seu mandato. O meu receio é que o fato do Banco Central não negociar o seu mandato faça o Banco Central ser asfixiado porque não entra no jogo político ou, quiçá – quiçá! -, um dia possa ser presidido por alguém que tope _ desabafou Galípolo.


