Deputado faz discurso sobre dinheiro público, mas sua própria trajetória inclui prisão temporária, buscas e investigações envolvendo suspeitas sobre contratos públicos.
O Ministério Público chegou a pedir medidas mais severas contra o parlamentar, mas pedidos de prisão e afastamento foram negados pela Justiça. Saullo foi alvo de busca e apreensão.
Na ocasião, o deputado afirmou que nada havia sido comprovado contra ele e disse estar à disposição das autoridades.
O discurso de hoje e o histórico de ontem
É justamente aí que surge o contraste político.
Saullo cobra responsabilidade de outros diante de uma investigação e afirma que o dinheiro eventualmente desviado “é o dinheiro do povo”. A defesa da fiscalização dos recursos públicos é legítima, mas o histórico do próprio deputado acrescenta contexto à cobrança.
O parlamentar que hoje transforma uma operação policial em argumento político já foi preso temporariamente pela Polícia Federal, posteriormente teve o nome relacionado a outras investigações e foi alvo de mandados de busca e apreensão.
Nenhum desses fatos, isoladamente, equivale a uma condenação criminal, e os diferentes procedimentos tiveram desdobramentos próprios. No caso de 2018, houve inclusive anulação de provas e arquivamento de inquéritos.
Ainda assim, quando Saullo cobra explicações de outros e utiliza investigações como instrumento de discurso político, sua própria trajetória também passa a fazer parte do debate público.
Afinal, a régua utilizada para cobrar transparência, responsabilidade e respeito ao dinheiro público dos adversários também pode ser aplicada ao histórico de quem faz a cobrança.


