Cerca de 210 milhões de eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher os representantes da Câmara e parte dos integrantes do Senado, além de governadores em 36 estados. A eleição legislativa é considerada decisiva para o futuro político do presidente Donald Trump, já que os democratas podem conquistar maioria em uma ou nas duas Casas do Congresso.
Atualmente, os republicanos controlam a Câmara dos Representantes e o Senado, garantindo maior espaço para o governo aprovar projetos e implementar sua agenda. Uma eventual mudança na composição do Legislativo poderá ampliar a fiscalização sobre a Casa Branca, abrir caminho para investigações e dificultar a aprovação de propostas do presidente.
O cenário eleitoral ocorre em meio ao aumento do custo de vida, à alta dos combustíveis e às críticas à política externa de Trump, especialmente em relação à guerra contra o Irã. Pesquisas de opinião citadas pelo The New York Times também apontam crescimento da desaprovação do presidente, que, segundo a média dos levantamentos mencionados na reportagem, chegou a 61%.
A disputa também pode ter consequências para o Brasil. Parlamentares democratas vêm cobrando explicações do governo americano sobre possíveis interferências em assuntos brasileiros, incluindo ações relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), à atuação da Meta durante o processo eleitoral e a medidas envolvendo autoridades brasileiras. Uma eventual mudança no controle do Congresso poderia ampliar essas cobranças e resultar em investigações parlamentares.
Segundo Paulo Abraão, diretor-executivo da Brazil Office Alliance, uma maioria democrata poderia aumentar a pressão política sobre Trump, enquanto a manutenção do controle republicano daria ao presidente condições mais favoráveis para avançar sua agenda. O especialista ressalta, porém, que o resultado não determina automaticamente mudanças na política externa americana, mas pode alterar o nível de fiscalização e os limites políticos enfrentados pelo governo.


