CulturaManaus

Exposição no Centro de Arqueologia de Manaus exibe vestígios de 2.300 anos encontrados no parque Encontro das Águas Rosa Almeida

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email

Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult), realizou, nesta sexta-feira, 11/9, a abertura da exposição fotográfica “Solo Ancestral” no Centro de Arqueologia de Manaus (CAM), localizado no centro histórico. A iniciativa integra a programação oficial do “#SouManaus Passo a Paço 2026”.

A mostra apresenta registros das pesquisas arqueológicas realizadas na área de construção do parque Encontro das Águas Rosa Almeida, obra da Prefeitura de Manaus, revelando vestígios de aproximadamente 2.300 anos que ajudam a contar a história das populações que habitaram a Amazônia antes da colonização europeia.

A exposição apresenta uma narrativa cronológica com fotografias de cerâmicas, ferramentas de pedra, terras pretas antropogênicas, entre outros vestígios. Além do acervo visual, o público pode conferir um minidocumentário de 10 minutos sobre os bastidores das coletas e análises de campo.

O diretor-presidente da ManausCult, Márcio Brás, informou o período de visitação e destacou as próximas atividades educativas planejadas para o espaço. “O material ficará exposto por aproximadamente 60 dias no Centro de Arqueologia. Para o mês que vem, planejamos uma roda de conversa e um bate-papo para debater a arqueologia em Manaus, os sítios históricos e o dimensionamento de todo esse material”, declarou Márcio Brás.

Ocupação pré-colonial

A arqueóloga e curadora da exposição, Vanessa Benedito, reforça que os trabalhos de salvamento arqueológico no sítio, decorrentes do licenciamento ambiental para as obras do parque, trouxeram descobertas cruciais para a historiografia e para a identidade de Manaus. Segundo a pesquisadora, as análises de laboratório indicam que a ocupação pré-colonial da área é ainda mais antiga do que se estimava originalmente.

“A importância histórica desse trabalho de arqueologia para Manaus está em socializar um conhecimento que pouco se fala. Trazer uma exposição para o centro da cidade dá visibilidade para a história da densa ocupação pré-colonial antes da chegada dos europeus, mostrando a engenhosidade desses povos, como no manejo da floresta e na produção da própria terra preta. O mais interessante desse material é que estamos recuando a datação da ocupação pré-colonial de Manaus: tínhamos estimativas de até 1.700 anos e, agora, estamos recuando para aproximadamente 2.300 anos, com cerâmicas da tradição Pocó-Açutuba”, explicou a arqueóloga Vanessa Benedito.

Preservação patrimonial

As pesquisas e intervenções no sítio arqueológico foram acompanhadas continuamente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O arqueólogo do instituto, Marco Túlio Amaral, ressaltou o cumprimento do ordenamento jurídico e o valor social das descobertas para o município e para o Estado.

“É um processo que tem tramitado junto ao Iphan e, do ponto de vista legal, tem atendido a todo o nosso ordenamento jurídico que versa sobre o patrimônio arqueológico. Mas para além das leis, ele versa sobre as contribuições que temos para o município, para o Estado do Amazonas e para a nossa ancestralidade. É uma oportunidade de tornar isso visual para a população”, afirmou Marco Túlio Amaral.

Patrimônio

O CAM possui um acervo de aproximadamente 320 mil peças arqueológicas, que contribuem para a preservação, pesquisa e difusão da história dos povos que habitaram a região amazônica. Nesse contexto, a exposição utiliza a fotografia como ferramenta de divulgação desse patrimônio, apresentando ao público registros relacionados ao material arqueológico encontrado nas obras do parque Encontro das Águas Rosa Almeida.

A iniciativa também evidencia a importância do acompanhamento arqueológico em obras de grande porte, possibilitando que materiais encontrados durante as intervenções sejam identificados, estudados, preservados e, posteriormente, apresentados à sociedade. As fotografias presentes na exposição permitem conhecer esses vestígios sem deixar de valorizar os processos de pesquisa e preservação que envolvem o patrimônio arqueológico.

A exposição “Solo Ancestral” permanecerá aberta à visitação pública no CAM, na avenida 7 de Setembro, nº 350, Centro, durante os próximos 60 dias, sempre das 9h às 16h.

Fonte: Manaus cult

Foto: Ariele Lorena

TAGS: Águas Rosa Almeida, Exposição no Centro de Arqueologia

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email

Notícias Relacionadas